Salvaterra: Na noite dos Dolores Aguirre, o que valeu mesmo foi António Telles (Filho) e um novilho de José Palha

 A Praça de Touros de Salvaterra de Magos recebeu esta sexta-feira uma corrida de touros com um imponente, em peso, curro de touros da ganadaria espanhola Dolores Aguirre.

Em praça estiveram os cavaleiros Manuel Telles Bastos, Luís Rouxinol Jr. e António Prates. Pegaram os forcados Amadores de Montemor e Lisboa, que disputaram o prémio Simão Malta (para melhor grupo em praça) e o prémio Nuno Salvação Barreto (para melhor pega. Nesta corrida houve ainda exaltação às celebrações dos 80 anos do grupo de Montemor e dos 75 do grupo lisboeta.

O cavaleiro amador António Telles filho lidou um novilho da ganadaria José Palha.

Lides:

Manuel Telles Bastos teve uma primeira lide meritória com três bons curtos, como maior destaque. Teve por diante touro com investida incerta e pouco franca para com as montadas e a demonstrar crença em tábuas a partir de meio da lide. Nula transmissão deste touro.

Na sua segunda lide, Telles Bastos enfrentou um touro com 770 Kg, o mais pesado do curro Dolores Aguirre em Salvaterra, complicado. O touro exigia distâncias curtas e cadência templada e nem sempre isso aconteceu de modo a que a lide pudesse resultar ‘em redondo’. Manuel Telles Bastos porfiou e foi conseguindo levar ‘água ao seu moinho’, perante um touro que provavelmente poucos quereriam lidar. Tem um curto meritório. Contudo há a destacar a coragem de se enfrentar com touros desta envergadura.

Luís Rouxinol Jr. não teve também uma noite nada feliz. Frente ao primeiro, com 695 Kg, uma lide sem ligação frente a um touro sem investida. Um ferro de boa nota, na cravagem curta, e um forte toque na montada num outro ferro foram os destaques no ‘quase’ nada que aconteceu.

Na segunda lide, frente a touro com 720 Kg, pior ainda. Calhou o pior manso da corrida, que apenas queria sair da arena, não investiu, não permitiu nada ao jovem cavaleiro em termos de brilho. Tentou sorte gaiola que não resultou. Uma noite ingrata.

António Prates continuou na mesma bítola da terna de cavaleiros de alternativa. Frente ao seu primeiro touro, terceiro da corrida, esteve em patamar aceitável perante um touro com maior investida na montada e conseguiu uma lide com alguma ligação mas nada de rotundo.

No último touro da corrida, um touro que se adiantava nas reuniões e com fraqueza nas mãos, pouco ou nada de relevante, numa lide sem luzimento, por falta de valor do oponente.

António Telles (Filho) lidou, em quarto lugar na ordem de lide, um novilho da ganadaria José Palha. Uma lide interessante, com boa brega, boa escolha de terrenos e sortes a serem bem desenhadas, resultando em reuniões ajustadas. Nem sempre lhe deu as distâncias devidas mas foi, a larga escala, a melhor lide a que se assistiu, esta noite em Salvaterra de Magos. António Telles (Filho) é tradição e ao mesmo tempo é Ar Fresco para a festa brava. Tudo para ser figura, um caminho imenso para lá chegar. O quarto curto é de soberba execução, numa lide meritória, frente a um bom novilho que se apresentou com mobilidade, investida e muita ‘pata’. Novilho com direito a volta à arena na recolha e ganadeiro chamado à arena!

Pegas:

Montemor: Francisco Barreto (1ª tentativa); António Vacas de Carvalho (4ª tentativa efectiva dobrando João da Câmara); António Pena Monteiro e Francisco Rodrigues (cernelha).

Lisboa: Duarte Mira (2ª tentativa efectiva, dobrando Tiago Silva); Pedro Gil (1ª tentativa); João Varanda ( 2ª tentativa).

José Maria Marques ao primeiro intento frente ao novilho de José Palha, numa pega concretizada por forcados dos dois grupos, e estando extra-concurso.

Touros:

Os touros Dolores Aguirre contam com encaste Atanasio Fernández-Conde de la Corte e apresentaram-se em Salvaterra com peso, assustador até, distintos de capa, médios de cara e bem ‘armados’ na cornadura. O comportamento foi maioritariamente manso, sem investida nas montadas, embora a maioria investisse no capote, e com muitos ‘arreões’ de mansidão. Touros sem transmissão, que apenas impactaram tudo e todos pelo tamanho e peso.

O novilho José Palha, já o referimos anteriormente, foi o que de melhor se viu esta noite.

Direcção de Corrida: Marco Cardoso, assessorado por Jorge Moreira da Silva. 
Uma direcção inacreditável de tão má. Más atribuições de música a lides sem mérito ou valor para tal, voltas autorizadas sem motivo. Fraco nível de exigência.

Lotação: Meia praça preenchida.

Prémios:

Melhor Pega (Prémio Nuno Salvação Barreto)- Pedro Gil- Forcados Amadores de Lisboa.
Melhor Grupo em Praça (Prémio Simão Malta)- Forcados Amadores de Lisboa.

Júri constituído por Pedro Graciosa, Nuno Santana, Francisco Chalana.

Notas Finais:

1- Foi a corrida que maior expectativa criou, esta temporada, a partir do momento em que se soube os pesos dos touros;

2- Os que criticaram o peso e tamanho dos touros pecaram ao não se terem, previamente, fundamentado com o encaste dos Dolores Aguirre. Era previsível o peso, o trapio e até a idade de alguns deles…

3- Meia casa (aproximadamente) preenchida é uma má casa e quebra um pouco as duas anteriores corridas que foram um sucesso na entrada de público;

4- Os cavaleiros não deveriam, na maioria, ter dado volta à arena. Não houve qualidade de lide que o justificasse. A falta de qualidade na lide deveu-se maioritariamente à quase nula transmissão dos touros Dolores Aguirre.

5- Na 3ª pega da noite, por António Vacas de Carvalho à quarta tentativa efectiva, estiveram na arena 13 forcados.

6- Rafael Vilhais será a figura desta semana. Os que foram à corrida vão-na comentar e os que não foram também. E nisto dos touros, nunca há má publicidade. Importante é que se fale, debata e discuta! Voltou a arriscar, e bem! Os touros impuseram respeito e os cavaleiros e forcados estiveram sempre em sobressalto.

 

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