Serpa: Cumpriu-se a tradição!

O Sábado de Páscoa é já uma data a que o calendário taurino português associa o Festival dos Bombeiros de Serpa, integrado nas Festas do Concelho. Pelo sétimo ano a Corporação apresentou um equipamento para o qual contribui o resultado do espectáculo, como já é habitual. O que lhe confere a credibilidade organizativa e deixa claro o sentido dos eventuais proveitos.

Tarde solarenga que contribuiu para melhorar o afluxo de publico mais em cima da hora, conferindo um ambiente agradável e muito  “campero”.

O maior destaque, em nossa opinião, vai para a qualidade do publico presente. Soube avaliar os acontecimentos à medida que a tarde decorreu. Aplaudiu e assobiou na justa medida, o que é raro hoje em dia. Sempre com sobriedade e envolvimento.

Por outro lado o ponto mais fraco foi a apresentação das reses no global. Façamos excepção aos exemplares de Varela Crujo, Murteira Grave e Falé Filipe. Os dois de Passanha Sobral podiam estar mais compostos de carnes e o Ascenção Vaz melhor de cara, tendo em conta que teria de ser pegado e inqualificável o exemplar de Luis Rocha. É certo que estamos num festival, é certo que as reses são oferecidas, é certo que as ganadarias atravessam uma fase complicadíssima do ponto de vista económico, mas isso não justifica que se permitam a saída de exemplares sem dignidade para um praça, mesmo que desmontável e na “província”. Por outro lado, o sucedido serve de alerta quanto à forma como se conduzem estas situações e em última instância a autoridade máxima no espectáculo não deve permitir que situações como a sucedida.

De resto, dizer que o extenso festival valeu pelas lides em ritmo de treino, aqui e ali pontuadas por um outro pormenor artístico mais bonito, mas sem se encontrar um triunfador. Luís Rouxinol contornou as dificuldades do manso Varela Crujo, com habilidade compôs a lide possível. Sónia Matias, que não deveria ter colocado o comprido no inqualificável cinqueño de Luís Rocha que lhe tocou, lidou um sobrero colaborante de Passanha Sobral, mas justo de forças, em que veio de menos a mais e terminou em plano agradável e confiado. Filipe Gonçalves andou mais por caminhos de frontalidade, asseado, com sobriedade e aproximando-se do toureio comunicativo, que o caracteriza, apenas no par de fechou. Rouxinol Jr. perante um codicioso e colaborante Ascenção Vaz esteve acertado no critério, ligou actuação correcta e ligeira. Terminou a convidar seu pai para um ferro final.

Também nas pegas a tarde foi regular, os novilhos-toiros não dificultaram e apenas uma pega não foi concretizada ao primeiro intento. Por Moura, Carlos Ramos à 3ª (o toiro era tardo por natureza e foi colocado nos terrenos para onde quis sempre ir durante a lide, dificultando assim a tarefa do cara, que também não mandou na reunião nas duas primeiras tentativas), a estrear Francisco Marques fechou-se com decisão à 1ª. Por Beja pegaram Guilherme Santos e Álvaro Sampaio ambos à 1ª.

A pé ficou-nos a sensação que os dois exemplares foram para dentro com água por tirar na devida altura. No entanto estamos a falar de novilheiros, em fases distintas, e isso tem de ser levado em conta. Ainda assim valeu a vontade de ambos. 

No de Falé Filipe um vistoso tércio de capote e partilha posterior de quites entre Dias Gomes e Diogo Peseiro, parecia prometer parte interessante do festival. Dias Gomes andou diligente e teve pela esquerda os melhores passes da sua actuação, com mando e a aproveitar a voluntariedade do exemplar de Falé Filipe. Faltou ligar as séries e dar mais espaço entre elas para o novilho respirar e obrigar a um recorrido maior. Está muito andaluz o toureio de Dias Gomes. Mas parece-nos ser cedo para a tão propalada alternativa.

Diogo Peseiro tentou fazer valer a sua raça desde o tércio de bandarilhas, não resultou em pleno pela grande mobilidade do Murteira Grave, que tinha transmissão e pedia um picotazo para templar a casta que evidenciou. Na faena deu opções de ligar passes por ambos pitóns (até que se rachou), mas pedia mais oficio que o que Peseiro conseguiu alcançar até agora. Fica a entrega do jovem toureiro, vários muletazos isolados de boa nota e a sua vontade (mesmo quando já nada havia para fazer), numa faena demasiadamente extensa, talvez por isso mesmo. Vergonha toureira de Peseiro, ao recusar firmemente a volta que o publico, por simpatia lhe pedia. Um exemplo vindo de um miúdo!

Venha o oitavo Festival Misto dos Bombeiros de Serpa, como já é tradição… no Sábado Páscoa!

 

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