Tauromaquia ao postigo… Não obrigado!

António tereno

Queremos isso sim, uma tauromaquia devidamente assumida, e vivida em toda sua plenitude.

Para isso, somos precisos todos, queremos uma estratégia bem delineada, que possibilite o ressurgir da tauromaquia.

Migalhas não resolvem nada, programar uma ou outra corrida, ou qualquer outro espectáculo tauromáquico é pouca coisa, as nossas organizações representadas na Prótoiro devem organizar um Programa de Recuperação da Tauromaquia, com o efectivo envolvimento de todos os agentes da Festa. Que os artistas: toureiros, cavaleiros, forcados, ganadeiros, empresários, aficionados e todos aqueles que vivem e contribuem para a grandeza da arte taurina, se impliquem verdadeiramente na defesa dos nossos valores. Só assim será possível voltar em força, e não dar azo a que os nossos inimigos tomem a dianteira!

Não resisto a dar dois exemplos de projectos que devem ser considerados da maior importância para a tauromaquia e o seu futuro, no contexto da Península Ibérica.

Dois projectos culturais diferentes, com um objectivo comum: defender a tauromaquia! Projectos sérios, consistentes e plenamente fundamentados, que nos permitem lançar âncoras, e blindar o futuro que queremos!

São eles: a candidatura da Corrida de Toiros/Tauromaquia a Património Cultural Imaterial de Portugal, e a criação do Instituto Juan Belmonte, em Espanha.

O primeiro projecto resultante de uma candidatura aprovada no âmbito do Orçamento Participativo, do OE 2017, e promovido pela ATTP, em parceria com o ISCTE, representa uma iniciativa que é de todos.

Centralizado numa equipa de base científica coordenada pelo Prof. Luís Capucha, e com o contributo de muita gente de variadíssimas áreas ligadas ao sector, este completo e minucioso trabalho de investigação conseguiu juntar todo um espólio cultural, etnográfico e audiovisual importantíssimo referente à tauromaquia, que lhe dá consistência, e vai servir para transmitir um conhecimento precioso sobre o mundo do toiro a todos os aficionados, e não aficionados que queiram aprofundar os seus conhecimentos sobre a arte e cultura tauromáquicos.

Queremos realçar a importância deste projecto em termos de futuro, e o seu registo e posterior declaração como Património Cultural Imaterial de Portugal (PCIP), visa protegê-la dos ataques fundamentalistas daqueles que não aceitam as diferenças de opinião, e não admitem que possamos ter a liberdade de gosto e de escolha!

A apresentação da candidatura da Corrida de Toiros a PCIP, é uma aposta firme no futuro da Festa, representando não só a protecção e a blindagem da mesma, mas também a disponibilização do vastíssimo e rico espólio tauromáquico, que assim fica ao alcance de todos os que queiram ser participes desta grande iniciativa cultural ligada aos toiros.

O segundo projecto, o surgimento do Instituto Juan Belmonte, um centro de reflexão sobre a tauromaquia, criado pela FTL/Fundación Toro de Lidia, visa combater o animalismo, mas também para acrescentar solidez cultural, implicar o envolvimento dos intelectuais neste novo desafio e fomentar a discussão em conjunto sobre o enorme fenómeno que é a arte tauromáquica.

O próprio nome dado ao instituto é significativo, é uma homenagem a Juan Belmonte que juntamente com Joselito El Gallo, foi uma figura que marcou uma época no toureio mundial, que descobriu novas formas de toureio despertando a curiosidade e o entusiasmo na afición, dando-lhe uma maior atractividade. Tal como a ruptura que significou o maestro então, também o instituto quer provocar a discussão, pensar e projectar o toureio que queremos para o futuro.

E nós por cá?

Abusamos da originalidade, isto para não dizer que somos ridículos nas medidas governamentais que são tomadas, como a venda do café ao postigo!

Depois da chico-espertice da abusiva e indevida aplicação das vacinas, grande exemplo do desnorte nacional no combate á pandemia, temos a secreta esperança que o almirante ponha ordem na casa, isto apesar de agora as vacinas não chegarem como era previsto.

 Temos estado confinados, abandonados à fatalidade do nosso destino, e ao ostracismo a que nos votou uma ministra que não gosta de nós, que nos discrimina negativamente nos apoios que o seu Ministério concede.

Todos os que trabalham e vivem do, e para o mundo do toiro, são cidadãos portugueses de pleno direito e pagam religiosamente os seus impostos, cumprem os seus deveres, e como tal deveriam ter direito ao seu direito, de serem apoiados neste tempo de pandemia.

Exigimos igualdade de tratamento para a tauromaquia nos apoios que o Estado concede, a exemplo do que é feito com os outros sectores da vida nacional.

Houve uma reunião da Prótoiro com o governo, que ficou de estudar as vinte e quatro propostas entregues, esperamos que não se fique pelo mero estudo/análise, e que as mesmas propostas tenham consequências positivas para o mundo taurino.

Pensamos que é urgente um programa ambicioso para o ressurgimento da tauromaquia no seu todo, sem compartimentações, mas baseado na união e no esforço de todos. E desculpem lá, não aceitamos que esta arte que nos apaixona seja tratada como uma venda ao postigo!