Opinião

Tauromaquia toureia a guerra

Não queria falar da situação explosiva que se vive no Leste Europeu, a tauromaquia não é de guerras, mas sim de arte e cultura e estes são símbolos de Paz!

No concerto mundial das nações, há normas de entendimento, observação e respeito das regras que regulam as relações entre estados vizinhos, não se nos afigura pois que seja lícito invadir outro País só porque não pensa como nós. Há aqui há um claro desrespeito pela Carta das Nações unidas (ONU).

As guerras não são boas, foi por causa da Guerra Civil de Espanha que foram ceifadas as vidas de muitos taurinos, entre eles o escritor e poeta Miguel Hernández, criador de El torero más Valiente, e o poeta Federico Garcia Lorca, o autor “Llanto por Ignacio Sanchez Mejías – A  las cinco de la tarde”, um verdadeiro hino à tauromaquia.

Como podemos não estar contra qualquer tipo de guerra, com o seu rasto de estupidez, morte e destruição?

Como não podemos deixar de alçar a voz contra estes atropelos á cultura e á própria humanidade?

Ficar calados é que não, chega de discursos sem resultados práticos, de reuniões de políticos que lavam as mãos como Pôncio Pilatos perante Jesus, e não resolvem nada, pouco lhes importando todo esse rol de desgraças como agora sofre a Ucrânia, e não tarda nos atingirá também uma vez que a Rússia já nos colocou no Índex, e nos rotulou como país hostil.

Que ninguém pense que o paranóico tirano pára até conseguir o seu objectivo, e o Ocidente com tudo o que comporta em termos sociais, económicos, culturais e políticos, que se cuide!

Dizia o célebre historiador israelita Yuval Noah Harari ao Canal 12 de Israel: “Para fazer a paz é preciso que muita gente coopere. Para fazer a guerra basta um só tirano”.

Deixem-me dizer-vos: Estou envergonhado de pertencer a esta Europa que desistiu de o ser, que não se preparou para o que aí vinha, quando toda a gente sabia que o ditador russo se foi preparando anos a fio, debaixo dos olhares complacentes da nossa União Europeia e da NATO, que era suposto existir para nos proteger.

Voltam os fantasmas da guerra quase á nossa porta, e que fazemos?

Manifestações que de pouco servem contra aqueles que praticam o genocídio contra uma nação que teima em ser livre, boicotes que quando produzam efeito já a Ucrânia terá desaparecido do mapa da Europa, deixando um rasto de morte e destruição que pesará nas nossas consciências por não termos feito o suficiente para o evitar!

Não aprendemos nada, neste nosso mundo chamado livre – livre se deixar de existir?

Mais um holocausto que já começou, umas décadas que passaram e já esquecemos o nazismo, e os milhões de Judeus e outros habitantes desta Europa que pagaram com a vida, já esquecemos o terror bolchevique e o HOLODOMOR com o seu rasto de morte devido á fome forçada na própria Ucrânia.

E onde pára “o amigo americano”, que não mexe uma palha e só debita declarações evasivas e fanfarronices, permitindo assim que se destrua um povo que apenas tenta defender a sua soberania!

Não, definitivamente a tão apregoada Europa, a tal que se afirmava defensora da cultura e dos valores ocidentais, claudicou e já perdeu os valores que a norteavam cedendo a modas estéreis, a ditaduras do politicamente correcto e afins.

Alguém no seu perfeito juízo acreditava que o desarmamento da Europa, que a adesão a teorias pacifistas mascaradas de verde, da salvação do planeta (onde anda a inefável miúda zangada de seu nome Greta Thunberg, que desapareceu na nuvem?), da coexistência pacífica, ou da deturpação dos valores que nos regiam e ditavam a nossa conduta moral, iriam ser a solução duradoira? A resposta está aí, a invasão de um País que não está assim tão longe!

Deixem-me fazer uma comparação: Ucrânia e Olivença.

Na primeira – uma agressão a um país soberano que não quer vergar-se aos ditames e á paranóia criminosa de um ditador que não respeita ao acordos e as regras entre países, que bombardeia cidades e pessoas indefesas sem o mínimo respeito pela vida humana, que todos temos que condenar.

Na segunda – uma entusiasta e pacífica invasão, durante a passada Feria del Toro de 2 a 6 de Março em Olivença, com a população local e visitantes de todo o mundo taurino confraternizando e vivendo a Tauromaquia em toda a sua plenitude. Este o melhor exemplo, demonstrando principalmente aos animalistas que se aproveitam da desgraça alheia para se autopromoverem, que os aficionados e a gente da tauromaquia sabem viver e respeitar quem pensa diferente de nós.

Nós repudiamos bandeiras de ódio, somos solidários com quem é atacado da forma mais vil, e arvoramos bandeiras de Paz!

António Tereno

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