Tolerantes…ou parvos?

António tereno

Depois dos episódios burlescos da proibição da corrida de Santarém, ou das incomportáveis exigências de uma qualquer delegada da DGS (Direcção Geral da Saúde), que conseguiu o que queria, inviabilizar a realização da mesma, e do posterior protesto das gentes do toiro a manifestar a sua veemente indignação perante tais atropelos á liberdade de viver a tauromaquia sem entraves, eis que nos toca esta trapalhada toda da obrigatoriedade, ou não, dos testes não só para os artistas, como também para o público assistente. Isto em clara contradição com outros eventos já decorridos, com as noitadas nas nossas cidades, com os transportes públicos sobrelotados, por muito que a DGS se empenhe em dizer o contrário.

Andam a gozar connosco uma vez mais, andam a matar-nos aos poucos ao condenar-nos á inacção forçada, será que vamos assistir impávidos á crónica da nossa morte já anunciada, por quem não gosta de nós?

Tempos difíceis os que correm na tauromaquia, será que se o Estado através do governo, ou entidades por ele tuteladas, nos trata mal e nos descrimina, não deveríamos agir contra o próprio, na esfera judicial e tomando posições firmes como aconteceu com a Manifestação do Mundo rural em Lisboa, ou a dita Concentração Taurina em Santarém?

Entretanto a corrida inaugural da temporada tauromáquica no Campo Pequeno anunciada para dia 25 de Junho foi adiada, pensamos que devido às indefinições nas medidas de segurança impostas, mas entretanto os concertos naquela arena continuam (com testes, ou sem testes, pouco importa), em nome de uma cultura que não é de todos.

 Imagine-se até o descaramento de um pseudo/artista, antitaurino claro, que num desses concertos se permitiu destilar o seu ódio e insultar-nos do alto da sua guerra, afirmando alto e em bom som que a capital do toureio em Portugal, já é dele!

Até quando vamos aceitar, que até na que deveria ser a nossa casa nos insultem, eles sabem que somos bonzinhos!

De França continua a vir-nos uma lufada de ar fresco, a despertar-nos da nossa letargia, a refrescar a nossa memória, e a avisar-nos que devemos lutar pelos valores em que acreditamos. Veja-se o exemplo recente de Arles, Nimes, Istres, Saintes  Maries de la Mer, e tantos outros sítios prenhes de tradição, cultura e fervor taurinos, que continuam a deliciar-nos com as suas manifestações culturais ligadas á tauromaquia, e a oferecer-nos grandes tardes de toiros!

Será que esse ar que também passa por Espanha, não chega até nós?

Por cá com tanta proibição, com tantos empecilhos burocráticos, com tanta hesitação e falta de firmeza da nossa parte, eles esfregam as mãos de contentes e continuam a sua cruzada para acabar com tudo o que seja taurino.

Pela sua actualidade, gostaria de partilhar um excerto do excelente artigo do jurista Ricardo Ruiz de la Serna, intitulado “En honor de Victor Barrio”: El Tribunal Constitucional advierte que “La libertad de expresión no puede ser un instrumento para menoscabar la dignidad del ser humano, pues esta se erige como fundamento del orden politico y de la paz social”.

So pretexto de defender a los animales – se olvidan del ser humano por el camino.

La tauromaquia se ha convertido en la primera línea de defensa de la libertad y la dignidad humanas frente a una ideologia totalitária – el animalismo – que, so pretexto de elevar a los animales, en realidad quiere degradar al ser humano.

Nós que fazemos parte da civilização ocidental, que tanto incomoda muito boa gente, sabemos ser tolerantes, mas exigimos que respeitem os nossos valores que consagram a diversidade de gosto e de opinião. Nesta democracia que vivemos e que tanto nos custou a ganhar, não podem caber fundamentalismos ou ditaduras do politicamente correcto, que só servem para inquinar a nossa vivência em sociedade e em liberdade!

Mas será que uma sociedade que permite tudo, é uma sociedade tolerante?

Eu cá acho que não, quando muito será parva!

Para ver