Triunfo Mourista em Elvas

Triunfo Mourista no coliseu Elvense. Uma tarde para a história da tauromaquia onde ficou provado que o Maestro de Monforte está para durar; trinta e cinco anos de alternativa cumpridos nesta corrida parecem não pesar nada a este histórico toureiro.

Abriu a corrida com uma lide de agrado do respeitável, um aperitivo daquilo que viria a ser a tónica de uma grande corrida; o segundo da tarde depois de se ter custado a fixar, abriu e serviu na perfeição para uma grande actuação, com direito a lição de brega por este catedrático do toureio mundial; fecha a primeira parte com a lide de um toiro de Romão Tenório, assim como os dois primeiros, que além de apresentação tiveram um comportamento bem aceitável e que ajudou ao espectáculo, neste último da primeira parte João Moura esteve por cima do astado, aguardava-se com expectativa uma segunda parte carregada de emoção, e assim foi:

O quarto da tarde pertencia á ganadaria de Inácio Ramos; depois da cravagem dos compridos, entra em praça João Moura Jr ao lado de seu Pai, onde mostrou toda a sua garra de tourear e sobretudo de triunfar numa tarde de suma importância; bregou de um forma extraordinária e cravou ferros de antologia, rematados já com o público em pé; uma fasquia bem elevada para o seguinte toiro em que entrou em cena o seu irmão Miguel, mostrando este também uma vontade e sede de triunfo inquestionáveis, Miguel entrou pelo toiro a dentro com cites de praça a praça e deixou ferros de grande nota, cravaram ambos duas rosas no final da lide e mais uma vez colocaram o público em pé e escutaram fortes aplausos.

Antes da lide do sexto da tarde, através do som da praça escutámos o agradecimento de João Moura aos aficcionados presentes, assim como a informação de que também iria lidar o sobrero como forma de agradecimento; o sexto foi uma lide em que Moura esteve por cima do seu oponente e onde se viram bons ferros, sem no entanto romper.

O último da tarde, neste caso o sétimo, foi lidado de forma inusitada pelos Mouras, que depois do Maestro ter cumprido com a ferragem comprida, se apresentam os três em praça para terminar com glória esta tarde de grande desafio (aqui já ganho); foi uma lição de toureio com ferros de grande nota, numa sintonia de abismar, réplicas de grandes ferros que imprimiram á lide uma emoção e movimento pouco vistos. Terminava assim da melhor maneira uma tarde de glória imensamente merecida por esse grande toureiro que sempre foi, é e será: João Moura.

Triunfo também nas pegas, que hoje estavam entregues a uma selecção de forcados de vários grupos: Lourenço Ribeiro dos Forcados Amadores de Santarém, João da Câmara dos Amadores de Montemor, Paulo Barradas Mauricio, pelos Académicos de Elvas e Nuno Toureiro dos Amadores de Monforte pegaram todos á primeira tentativa. João Oliveira do Grupo de Forcados de Tomar fechou-se á terceira tentativa; Ricardo Almeida dos Amadores de Portalegre executou uma grande pega á segunda e a fechar a tarde Francisco Montoya do Aposento da Chamusca pegou á primeira tentativa.

Uma festa bonita e marcante, que pecou apenas pela falta de público; cerca de meia casa das bancadas do coliseu Elvense preenchidas. Tudo o que não fosse uma casa esgotada parece-me pouco para homenagear um toureiro que como poucos, vai ficar para sempre gravado a ouro na história da tauromaquia Portuguesa e Mundial; não só pelo que fez ao longo destes trinta e cinco anos, mas sobretudo pelo que faz e ainda pode vir a fazer como provou hoje com este grande triunfo.

A volta de agradecimento final foi compartilhada pelos forcados, que levaram os quatro Mouras em ombros; os quatro porque o pequeno Tomás também participou activamente na festa, acompanhando efusivamente seu Pai em todas as voltas de agradecimento, e a avaliar não só pela genética mas também pela forma como se apresentou em praça, sem sombra de dúvidas que temos toureiro. 

 

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