Um mundo que gira como louco, em vez de melhorar, piora pouco a pouco

“Gira o mundo sem parar

Mas sempre e sempre mais louco

Pois em vez de melhorar

Fica pior pouco a pouco”

É com um poeta popular da minha terra que inicio o artigo desta semana. Utilizo esta estrofe como mote para escrever sobre o rumo que o mundo está a levar e que de certa forma se enquadra no tema Tauromaquia.

A Tauromaquia portuguesa está num ponto que gira, gira e continua a girar e parece que vai piorando em certos sectores.

Um dos exemplos mais prementes é um dos elementos primordiais de uma corrida à portuguesa, o Forcado Amador, que de ano para ano urgem polémicas que em nada dignificam este símbolo português.

Durante a temporada há sempre vários sussurros de problemas que vão acontecendo no ceio da forcadagem portuguesa, mas é quando os Grupos de Forcados se reúnem em Assembleia Geral que essas polémicas ganham mais eco.

Na passa semana os Forcados reuniram-se para tratar de temas que por mais que o tempo passe, continuam a fazer parte da ordem de trabalhos das Assembleias, entradas e saídas de grupos, vetos de empresas e seguros.

Muito se tem falado nas redes sociais e em alguns meios de comunicação sobre as polémicas votações de entradas e saídas dos Grupos de Forcados na Associação Nacional de Grupos de Forcados, havendo mesmo quem lance para o ar suspeitas.

Uma coisa é certa, é legitimo que numa associação só seja admitido quem os seus sócios quiserem, mas também é necessária clareza nas decisões para que essa associação e seus associados possam ter alguma credibilidade e com os últimos acontecimentos não é que acontece.

Olhando em pormenor para as decisões da ultima Assembleia Geral, devo voltar a lembrar que é legitimo que os associados apenas tenham autorizado a admissão de um Grupo de Forcados, deixando de fora quatro que também manifestaram a sua intenção de integrar a dita Associação, o que não é legitimo é votar contra ou a favor de algo e não apresentar argumentos para tal tomada de posição, tendo em conta que foram ouvidos os Cabos dos grupos a votação e tendo também em conta que, antes da votação, havia suspeições de que a votação iria ser aquela.

Ao ler este artigo, pode estar a perguntar, esses grupos que não foram aceites na ANGF porque não criam uma nova associação? A resposta é fácil, se assim não conseguem praticamente pegar, criando outra associação ficariam praticamente na mesma e vou passar a explicar porquê.

Ora para se montar um festejo taurino são muitas as “obrigações”, para começar tem de se estar associado na Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, depois ao contratar os toureiros estes têm de estar associados na Associação Nacional de Toureiros Portugueses, caso não esteja ou tenha quotas em atraso, o  Fundo de Assistência dos Toureiros não emite um “seguro” para os artistas, passando-se algo semelhante com a Associação Portuguesa de Criadores de Touros de Lide e por fim caso uma empresa decida contratar um grupo não associado fica vetado pela ANGF e fica praticamente bloqueado nas contratações.

E é basicamente por isto que estes grupos de forcados pretendem entrar na ANGF, para poderem ter a oportunidade de pegar touros.

Podem agora dizer que estes grupos não têm condições para pegar touros e logo não têm condições para entrar na ANGF, mas aqui sugeria-se que fosse apenas um elemento da festa a fazer essa seleção natural, o Touro, é ele que faz a seleção seja de forcados ou toureiros!

Infelizmente assim vai a tauromaquia, suspeições, compadrios, exclusões e descredibilizada e quem perde? A Festa Brava!

Por isto e muito mais que haveria para dizer utilizo o mote do poeta popular mas transportando-o para a Festa Brava e assim vou terminar:

Gira a Festa sem parar

Mas sempre e sempre mais louca

Pois em vez de melhorar

Começará a ter uma voz rouca

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