Vila Franca: António Telles e Moura Jr. destacaram-se em noite fria

A Praça de Touros Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, recebeu esta terça-feira a segunda e última corrida integrante da anual Feira de Outubro.

Frente a um curro de touros da ganadaria Passanha, actuaram os cavaleiros António Ribeiro Telles, João Moura Jr. e João Ribeiro Telles. Pegou, em solitário, o grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.

Antes da corrida foi prestada homenagem, pelo Ateneu Artístico Vilafranquense, ao Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira com a interpretação de um pasodoble com nome do grupo e da autoria de Samuel Pascoal, sendo entregue a partitura ao cabo do grupo.

A Praça Vilafranquense registou aproximadamente três quartos (fracos) da sua lotação preenchida. Esta temporada o tauródromo não esgotou uma única vez.

A primeira lide da noite esteve a cargo de António Ribeiro Telles. Frente a um touro com boa apresentação, sem transmissão e a encurtar terrenos na investida, Telles sofreu três toques na montada na fase inicial da lide. Após cravagem dos compridos, elevou o nível na cravagem curta, entendo melhor o oponente, acertando distâncias e escolhendo bem os terrenos, com a cravagem de dois ferros curtos a destacarem-se pela positiva.

João Moura Jr. viu o primeiro touro do seu lote lesionar-se na saída à arena, coxeando, sendo mando recolher pelo director de corrida. Lidou o segundo do seu lote. Uma lide iniciada com sorte de gaiola bem conseguida e baseada numa brega exímia, uma concepção de toureio artístico e que se reflectiu na escolha dos terrenos e desenhos das sortes. O momento da cravagem nem sempre foi o melhor, mas ainda assim uma lide muito positiva.

João Ribeiro Telles teve por diante exemplar, bem apresentado, mas que não era franco na investida e media distâncias nas reuniões e por isso tinha exigências a fazer ao cavaleiro. Após dois regulares compridos, o primeiro curto fez soltar assobios no público, que os voltou a guardar no segundo curto em que o touro arrancou de surpresa e proporcionando reunião ajustada da e com o cavaleiro a cravar a bandarilha e a fazer parar corações.

Até ao final teve mais um bom ferro curto, contudo lide apenas positiva sem atingir excelência.

A quarta lide esteve a cargo de António Ribeiro Telles que a iniciou com sorte gaiola bem desenhada. O segundo ferro comprido não ficou cravado e nos curtos demonstrou toda a sua arte e saber. A concepção toureira na fase da cravagem curta é um compêndio de classe e de coerência quanto ao estilo que criou. Tradição em tempos modernos da qual não abdica nem mesmo quando da bancada lhe pedem para cravar um ferro em sorte de violino. Uma passagem em falso, não mancha uma lide em que um toureio frontal e com reuniões ajustadas merecem aplausos, destacando-se três excelentes ferros curtos.

João Moura Jr. lidou o sobrero, em virtude da lesão do seu primeiro touro, com um peso de 600 Kg. Após receber o oponente em sorte gaiola bem concretizada, Moura Jr. elevou a lide na ferragem curta com dois bons ferros iniciais e depois a colocar a assistência em êxtase com uma Mourina (citando à rectaguarda e virando-se após arranque do oponente, permitindo reunião ajustada) e logo seguida de outra. Público eclodiu em aplausos e Moura Jr. saiu em apoteose.

As lides, desta noite, encerraram com João Ribeiro Telles. Dois compridos regulares e um curto pouco ortodoxo deixavam antever final de noite complicado. Mas Telles soube-se recompor e partir para uma lide positiva. Ferros em sortes frontais e com ligeira batida, com um excelente segundo e terceiro curtos. Até ao final da lide mais um disparate no penúltimo ferro, primeiro com uma passagem em falso e depois com forte toque na montada aquando da cravagem. Terminou com curto de boa nota, mas lide irregular.

Pelos Amadores de Vila Franca pegaram: Vasco Pereira (segunda tentativa), André Matos (segunda tentativa), David Moreira (primeira tentativa), Guilherme Dotti (primeira tentativa), Rui Godinho (primeira tentativa) e Francisco Faria (terceira tentativa).

Os touros da ganadaria Passanha acabaram por se destacar pela excelente apresentação, sendo distintos nos comportamentos e exigindo labor aos cavaleiros e forcados.

Incoerência na realização deste espectáculo foi funcionar o sistema de som na homenagem inicial e posteriormente manter-se, o mau, hábito de não se anunciarem os artistas.

Corrida dirigida por Tiago Tavares, assessorado por Jorge Moreira da Silva.

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