Vila Franca de Xira: Gostaria de ser recordado como “homem acima de tudo, um homem digno”, disse Mário Coelho (c/fotos)

O matador de touros Mário Coelho foi este sábado homenageado na sua terra natal, Vila Franca de Xira.

Da autoria de Paulo Moura, foi descerrado, no Largo Conde Ferreira, um busto de homenagem a um toureiro que ao longo da sua vida criou laços com Orson Welles, Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Ava Gardner ou Audrey Hepburn.

O busto localiza-se perto da Casa-Museu Mário Coelho e da Igreja Matriz de Vila Franca de Xira.

Foram efectuadas intervenções pelo pároco local, Ezequiel; Maurício do Vale; o  presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca e Xira, João Santos; o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, e claro Mário Coelho.

Destaca-se as mensagens de João Soares e de Manuel Alegre, lidas por Maurício do Vale, o destaque da trajectória profissional e importância para Vila Franca de Xira, por parte dos presidentes de câmara e junta e a emoção e agradecimento de Mário Coelho.

Mário Coelho que em declarações ao Infocul disse que esta homenagem, de todas as que recebeu, era “a mais sentida e que é já numa fase de vida, de agradecimento. Agradecimento meu acima de tudo e também das gentes de Vila Franca. É uma honra e um privilégio ter esta estátua, mas eu direi que é um privilégio da minha parte ter servido Vila Franca, levar o nome de Vila Franca durante tantos anos, esse foi a maior honra e o maior prazer que eu tive, portanto casa-se uma coisa com a outra, o meu agradecimento a toda a Vila Franca, ou seja, Vila Franca não me deve nada, eu sim devo a Vila Franca, porque tive a sorte de ser um filho de Vila Franca”.

Muitas personalidades a tauromaquia, e não só, encheram o local junto da estátua. Questionado se esta era ma demonstração de força da tauromaquia numa altura em que é atacada, disse que “é atacada por uma minoria. É uma força, é uma cultura, é uma tradição, tudo o que nós quisermos de sentimento, de bom gosto, que este público, estes amigos, estes amigos que estiveram aqui hoje, ainda que chovendo mantiveram-se aqui com o largo cheio e isso para mim é inesquecível. Eu direi quase com drama, que já posso morrer descansado”.

Sobre a estátua disse que “senti-me bem representado, acima de tudo é o talento e o sentimento de um artista que faz uma imagem de um toureiro que ele nunca viu tourear”.

Gostaria de ser recordado como “homem acima de tudo, um homem digno, um homem que traçou um caminho direito e que nunca saiu dele”.

Já o presidente da autarquia vilafranquense, disse-nos que esta homenagem “tem todo o sentido, por um lado é uma homenagem que é mais que justa, pela arte que estes toureiros e neste caso Mário Coelho, que percorreu o mundo todo a mostrar essa mesma arte e sobretudo através disso levou longe a todos os cantos do mundo tauromáquico a cultura e o nome de Vila Franca de Xira. Deste modo, estas homenagens que estamos a fazer, são homenagens muito sentidas e no nosso ponto de vista muito justas, outras irão acontecer, num momento em que nós aficionados e todos aqueles que amam a tauromaquia e a festa brava têm que afirmar numa altura em que de facto muitos, com a ditadura do gosto, querem acabar com o gosto que nós temos nestas tradições”.

Questionado se estas homenagens preservavam a tradição e projectavam o futuro, disse que “sem dúvida, é digamos uma exigência de todos aqueles que estão ligados à tauromaquia. De facto, nós cada vez mais temos que mostrar à nossa juventude, que a nossa região, é uma região com características muito especiais, muito ligadas à lezíria, muito ligadas ao rio, muito ligadas a tudo o que diz respeito à tauromaquia, e mostrar-lhes que de factos eles próprios têm de fazer o percurso da defesa destes nosso ideais, destas nossas marcas, daquilo que nos distingue das outras regiões, e se não o fizermos as regiões são todas iguais e de facto as regiões não são todas iguais”.

Sobre as expectativas para esta legislatura e sobre o que ela pode, ou não, trazer à tauromaquia, disse que em “Vila Franca de Xira e no que concerne à minha pessoa enquanto presidente da câmara, mas também enquanto cidadão, vamos continuar a fazer tudo aquilo que fizemos até agora, que é a afirmação das nossas tradições, porque entendemos que as nossas tradições, os nosso costumes, aquilo que nós muito prezamos não pode acabar por decreto. Faremos tudo o que tivermos ao nosso alcance para contrariar qualquer tentativa desse tipo, eu acho que isso é uma questão de bom senso, é uma questão de liberdade de pensamento, liberdade de amor a uma cultura que é tão nossa e nós respeitaremos sempre quem não está connosco, que não gosta desta cultura, e desejando de uma forma pedagógica mostrar que não têm razão e que de facto temos direto a ter estas tradições e gostar muito daquilo que fazemos e sermos quem somos”.

Sobre os próximos toureiros a serem homenageados disse que “na sequência das exposições que fizemos, que começámos pelo maestro José Falcão, depois o José Júlio, depois o Mário Coelho e finalmente o Vítor Mendes, a sequência será muito semelhante, não quer dizer que exactamente assim”.

Texto: Rui Lavrador / Fotos: João de Sousa